Varal de Cordéis Joseenses

Contato: prbarja@gmail.com

(Sugestões de temas são bem vindas!)



sexta-feira, 16 de outubro de 2020

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Um Cordel de Comunicação Ambiental (APA SFX, 17/jun/2020)

(Para Katia Ferraz, Silvio Marchini e equipe da ESALq em "visita" à APA SFX)


"Serviços ecossistêmicos"
é uma expressão diferente,
dessas que, no dia-a-dia,
escutamos raramente...
Gente boa lá da ESALq
explicou isso pra gente.

Esses são serviços feitos
por um dado animal
que, na sua trajetória,
tem papel ambiental.
A onça é predadora?
Mas para quem, afinal?

"Predador" é uma palavra
que nem sempre é negativa:
pode ser característica
de uma espécie muito ativa
num dado ecossistema,
quiçá na mata nativa.

Os homens às vezes unem
sua arrogância a temores:
com a "erosão dos serviços",
provocam mil dissabores
e se tornam muitas vezes
os maiores predadores.

"Armadilhas fotográficas"
não servem pra machucar:
ao contrário, são recursos
usados para estudar
onças e outros animais,
mais que só fotografar.

Sobre o lado social,
eu não posso ser omisso:
tem gente que entende a fauna
até como um desserviço,
porque "bicho ocupa espaço"
- mas como é duro ouvir isso...

O conflito humano e fauna
pode virar união,
desde que a gente caminhe
buscando a compreensão
do melhor comportamento
pra uma boa interação.

Tolerância é necessária
e se desenvolve, sim,
quando há o afeto envolvido,
mais que atividade-fim;
quando há um olhar social.
A vida melhora assim.

Pagamento por Serviços
Ambientais não garante
que tudo seja perfeito.
Não digo que não adiante...
Há recurso e há paradoxo. 
Tem que estudar - e bastante.

São muitas as variáveis;
há muito trabalho em vista:
desenvolver questionário,
realizar entrevista
e analisar a estatística
com olhar de cientista.

Após olhar resultados
e fazer a discussão,
surge um novo desafio:
o da comunicação,
para que o conhecimento
tenha disseminação.

Precisamos ir além
da "bolha da academia":
levar nossas conclusões
pro povo, pro dia-a-dia...
Blogs, canções, guias, cartazes
podem ser bem eficazes:
Ciência unida à poesia.


Paulo Barja,
em reunião da APA SFX 
(17/jun/2020)

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Cordel da COVID19



Venho aqui dar um recado
ao amigo cidadão;
aprendi que ensinamento
só existe em comunhão
e falar do isolamento
hoje é a minha missão.

Nestas semanas difíceis,
nós todos muito aprendemos
sobre o vírus da COVID,
ameaça que não vemos,
mas cujos tristes efeitos
todos já compreendemos.

Muitos perderam a vida;
outros foram internados
em hospitais que, por vezes,
chegam a ficar lotados
deixando seus funcionários
seriamente preocupados.

As equipes de Saúde,
assim como professores,
tem feito jornada múltipla...
Então, pedem 2 favores:
- Fiquem em casa! Só saiam 
de máscara, meus senhores!

A curva de novos casos,
numa pandemia assim,
tem 1 formato de sino,
já estudado, vai por mim:
não é de um dia pro outro
que o problema chega ao fim.

O isolamento é importante,
nisso já demos um show.
O desafio continua:
a gente ainda não chegou
"do outro lado da montanha"
- o perigo não passou.

Um retorno consciente
ao convívio social
não pode ser confundido
com baile de carnaval
nem com a corrida às compras
na véspera do Natal.

Por isso é que nós pedimos:
- TOME CUIDADO, MOÇADA!
Não façam a festa agora;
sigam de mente focada
pra Saúde da cidade
ser logo recuperada!

Paulo Barja

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Cordel da Conexão (20 de maio)

Dia 20 de maio de 2020, tivemos reunião online da APA SFX. Fiz esta breve relatoria em cordel, que ofereço ao Renato Lorza, da APA SFX:


Uma fase crucial 
do projeto Conexão
é a assistência técnica
que é uma obrigação
e precisa de uma equipe
hoje em contratação

Funcionário administrativo,
com agrônomo também
junto aos técnicos agrícolas
- não se pode ficar sem -
mesmo com o isolamento
o processo até vai bem

Em São Francisco Xavier
surgiu até uma lojinha
da turma da produção:
novidade se avizinha
sempre em cooperativa 
- vitória não vem sozinha...

Quem não sabe usar o micro
aos poucos vai aprendendo.
Vejam o Renato Lorza:
suas planilhas vai vendo...
O apoio internacional
será mesmo essencial
- sorte é que vai se estendendo!

Como diz o nosso Braga,
é preciso abandonar
toda zona de conforto
pra assim poder melhorar.
Estamos firmes, unidos
e na APA decididos
e prontos para ajudar.

Paulo Barja

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A Rede de Proteção é Tarefa Coletiva

Reproduzo a seguir os versos de cordel criados durante a webconferência sobre violência em tempos de pandemia: informação para ação, promovida pelo NÚCLEO VIVA PAZ, em 15 de maio de 2020:


A REDE DE PROTEÇÃO
É TAREFA  COLETIVA

A violência de gênero
é triste realidade
que está presente no campo
mas também tá na cidade;
precisa ser enfrentada
em sua integralidade.

Pra melhorar convivência,
uma cultura da paz
precisa ser implantada
de modo firme e capaz
dando enfoque à prevenção
coordenada e eficaz.

Junto à mulher, a criança
precisa ser protegida,
pois ao sofrer violência,
a alma fica ferida
e carrega cicatriz
por todo o tempo de vida.

Um bom trabalho de rede
torna-se fundamental
para se trocar ideias
e também ter um canal
para união e EMPATIA,
exercício essencial.

O CONVIVA é um sistema
de proteção familiar;
sua semente é antiga
e hoje vem propiciar
propostas de melhoria
da convivência escolar.

Em tempos de pandemia,
muito encontro digital,
cyberbullying é um problema
muito sério e atual.
Trabalhar a netiqueta
parece fundamental.

São muitos temas complexos;
nossa mente segue ativa
para o afeto conjunto:
união é força viva.
A REDE DE PROTEÇÃO
É TAREFA COLETIVA.

Paulo Barja

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Testamento do Padre Cícero - um clipe sobre a canção de Augusto Boal e Gilberto Gil

Pouca gente sabe, mas Augusto Boal praticamente escreveu em cordel o texto sobre o "Testamento do Padre Cícero", que mestre Gilberto Gil musicou em seguida. Abaixo, nossa interpretação (musical e visual) para a obra:


domingo, 29 de março de 2020

CJ 93 - O Cordel da Quarentena

Em tempos tão difíceis para todos nós, cá no Brasil e no mundo, aí vai o Cordel Joseense sobre o tema mais relevante do momento: a quarentena contra a COVID-19. A capa - brilhante, como sempre! - é mais uma vez da Cláudia Regina Lemes.



Cidadãos do mundo inteiro
hoje estão ameaçados:
pelo tal Coronavírus,
muitos são contaminados.
O vírus é microscópico,
mas um futuro distópico
nos deixa preocupados.

A China caiu primeiro;
a Itália veio em seguida.
Alerta, a população
perguntava, dividida:
que providências tomar?
O que se deve evitar
para preservar a vida?

Depois de muito estudar
e fazer modelamento
da curva da pandemia,
propôs-se o isolamento
- que é físico e não mental,
pois é juntos que, afinal,
enfrentamos o momento.

Na Itália, houve um vacilo:
o prefeito de Milão
disse que jamais iria
demonstrar preocupação.
Em poucos dias porém,
a Itália ficou refém
da tal contaminação.

O vírus chegou na América
e, nos primeiros 10 dias,
o chefão lá dos States
(campeão das covardias)
também duvidou do mal
- um erro sempre fatal
  no combate às pandemias.

Qual o primeiro país
a superar 100 mil casos?
Acertou: the great America,
que pagou pelos descasos
e iludiu a consciência,
trocando a voz da ciência
pelos argumentos rasos.

Finalmente, os 2 países
engrossaram a corrente
de muitas outras nações,
adotando o expediente:
quarentena universal
para combater o mal
assim, olhando de frente.

Países de todo o mundo
adotaram sensatez:
fechando escola e comércio,
agiu-se com  altivez.
Alguns pedestres, incertos,
nos mercados inda abertos
entravam poucos por vez.

Neste cenário complexo,
tornou-se óbvia a verdade:
quando o povo de um país
passa por necessidade,
o Estado deve prover
condições para atender
toda a comunidade.

Numa crise desse porte,
há um papel pra cada um;
todos devem se ajudar
contra o inimigo comum.
Aula online, comércio idem,
peço a vocês: não duvidem!
Há campanha até em cartum.

Quanto à questão do consumo,
coisas tão "desimportantes"
quanto álcool gel e sabão,
esponja e desinfetantes
causam briga nessa hora
pois têm um valor agora
que nunca tiveram antes.

Só confesso que não sei
a razão de comprar tanto
rolo de papel higiênico;
essa questão eu levanto,
pois essa peste encrenqueira
não provoca caganeira...
É por isso que eu me espanto.

Passo aqui dias inteiros
no quarto ou no corredor
sonhando com comidinhas
simples, de grande sabor...
mas sempre amei abacate
e dei para o chocolate
o seu devido valor!

Aprendemos todos nós
- em casa, sítio, edifício -
como é duro o isolamento:
sentir-se preso é difícil!
A falta de liberdade
atinge cada cidade
como um invisível míssil.

Sentir-se fragilizado
é outro grande problema,
mas, nessa hora tão dura,
não faça disso um dilema:
exercite a empatia,
ouça um som, leia poesia,
mande afeto e nada tema.

Uma coisa é bem verdade:
o ambiente virtual
das aulas e das pesquisas
- trabalho intelectual -
não tem o calor humano
do nosso cotidiano,
mais que nunca essencial.

Eu, que nunca fui atleta,
dispensei o elevador:
desço 11 andares de escada
sem reclamar do "calor".
Viagem aventureira:
faço excursão à lixeira...
Depois, banho, por favor!

Seja artista ou cientista,
professor ou estudante,
cada cidadão que seja
consciente e atuante
quando escuta insanidades
num discurso de inverdades,
logo diz: "esse é farsante!"

Mas um mau pronunciamento
não tirará nosso empenho:
mantenhamos a corrente
com persistência e engenho
mesmo se algum soberano
corrupto e miliciano
contra nós franzir o cenho.

Carreata organizada
por ricos mostra demência:
querem fim do isolamento
por não ter mais consciência.
Escuto a trilha sonora
que estão tocando lá fora:
é o Hino da Independência!

Esse hino vem do tempo
em que havia escravidão;
representa um pesadelo
para quem tem coração,
mas, pelo ato bisonho,
acho que é tempo de sonho
pros canalhas de plantão.

Carreata de empresários
exige volta ao trabalho...
Ninguém ali pega ônibus!
Nada ali é ato falho:
têm lucros em altos níveis.
Empresários insensíveis,
vão pra casa do caralho!

O Mercado não é Deus
e ninguém aqui é tonto;
a Saúde é um direito
de toda pessoa e ponto.
Só existe Economia
se houver povo: pandemia
pede união, não confronto.

O papa deu grande exemplo
ao rezar a sua missa.
Na imensa praça vazia,
condenou toda cobiça;
numa comovente prece,
respeitando a OMS,
pediu Saúde e Justiça.

Nesses tempos tão difíceis,
a Vida ainda vale a pena.
Essa é a lição que persiste
na alma, nunca pequena,
de quem faz até canção
pedindo à população
que respeite a quarentena.

Ficar em casa é preciso
pra reduzir o perigo
de colapsar o Sistema
de Saúde. Meu amigo:
bote a cara na janela,
olhe o sol, a vida é bela
- e siga junto comigo!

Neste grande desafio,
somos como os mosqueteiros:
todos por um e um por todos,
por nós e pelos herdeiros
de um mundo enfim mais correto,
em que se cultive afeto,
amor e paz verdadeiros.


Paulo R. Barja

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

CJ 92 - Caminhos interrompidos (Sobre as bicicletas brancas)

O cordel joseense 92 fala sobre as ghost bikes, as bicicletas brancas que são colocadas em pontos do espaço público para homenagear ciclistas que morreram vitimados por acidentes nestes pontos. O maior desafio, aqui, foi criar um texto que trouxesse lirismo sem perder a contundência, que falasse sobre duras verdades sem pesar demais e mantendo a nota de esperança. Espero ter conseguido... Seguem capa, contracapa e o texto completo:





A cidade é um território
bem repleto de disputas,
com muita gente indo e vindo,
rotinas por vezes brutas
onde a questão do transporte
é uma entre muitas lutas.

Deslocar-se por aqui
é um desafio gigante;
seja no meio da rua,
na calçada... a cada instante,
a atenção deve ser plena,
pois o perigo é constante.

Vamos falar, nestes versos,
de uma questão bem urbana.
O trânsito da cidade
é coisa que nos engana,
e que, além da engenharia,
tem dimensão muito humana.

As Ghost Bikes joseenses
serão aqui nosso assunto
mas, antes de prosseguir,
para vocês eu pergunto:
já viram as bikes brancas
pintadas, com flores junto?

Elas significam muito,
pois trazem emoção franca:
exposta sobre a calçada,
cada bicicleta branca
é uma vida interrompida
que o trânsito nos arranca.

Essa exposição aberta
quer ser lírica homenagem
às famílias e aos amigos
dos que fizeram passagem
ao plano pós-existência,
nessa mais longa viagem.

Sei que o tema é doloroso,
mas a conversa é devida
e essa questão urbanística
não pode ser escondida.
Lembro que falar da morte
também é falar da vida.

Cada bicicleta branca
que é na cidade instalada
simboliza uma existência,
sendo assim posicionada
no ponto exato onde a vida
de um ciclista foi roubada.

Há, pois, caráter simbólico
nessas brancas bicicletas,
elementos paisagísticos
que, em suas curvas e retas,
são intervenção urbana,
trazendo histórias completas.

Estas bicicletas brancas
existem no mundo inteiro:
Roma, Paris, Nova Iorque...
E nosso exemplo primeiro
tem a alma joseense e
paulistano paradeiro.

Juliana foi pra Sampa
com sua bike; faleceu
atingida por um ônibus;
na Paulista é que ocorreu
essa tremenda tragédia
que a todos nós abateu.

A “ciclovia da Andrômeda”
(a primeira, em São José)
homenageia Juliana,
exemplo de vida e fé
no poder das bicicletas
- quem usa, sabe como é.

Já em terreno joseense,
a ghost bike inicial
fica no Jardim Paulista,
ali na zona central,
onde o jovem Luiz Augusto
foi a vítima fatal.

Os próprios familiares,
com ajuda fornecida
por amigos e ciclistas,
instalaram a devida
homenagem que até hoje
é bem cuidada e mantida.

Na Zona Sul, outra bike
em urbana intervenção
lembra Roberta e Melissa,
mãe e filha, judiação,
colhidas e vitimadas
por infeliz caminhão.

Na Zona Leste, um tributo
a uma nobre moradora:
Marilene usava a bike
no serviço – vendedora
de cosméticos e exemplo
de mulher trabalhadora.

Na Zona Norte, Josias,
16 anos de idade,
o viaduto atravessava
rumo ao Parque da Cidade
- vitimado, é mais um anjo
de bike. Deixou saudade...

Um outro jovem, o Robson,
também teve esse destino,
falecendo aos 19
por conta de um desatino:
rapazes fazendo racha
vitimaram o menino.

Rosival, lá de Alagoas,
veio para trabalhar
e estava feliz: de bike,
conseguiu trabalho achar,
porém foi atropelado
no dia de começar.

Ariel, de 36,
morava na Zona Leste;
trabalhava no Jardim
das Indústrias, Zona Oeste.
Hoje é outro anjo ciclista;
que nosso poema ateste.

O Marcos, de 37,
ia a Campos do Jordão;
na altura de Tremembé,
foi atropelado e não
resistiu aos ferimentos,
o que gerou comoção.

Na Estrada do Jaguari,
Zona Norte, área rural,
mais um caminhão gerou
outra vítima fatal:
morreu Nezinho, de bike,
sem ter feito nenhum mal.

E a ghost bike da Avenida
dos Astronautas? Lição:
quem instalou foi a filha
do Francisco (o “Chicão”),
atropelado por moto.
Cabe aqui observação:

Nesse caso, o motoqueiro
tratou de se aproximar
da família do Chicão
e fez questão de ajudar
a instalar a bicicleta.
Celso, assim, foi exemplar.

Muita história pra contar
tinha o “Zuzu”, Josué:
mais de 80 anos de idade
e nunca ficava a pé
- a vida inteira usou bike,
  pois nela botava fé.

Josué caiu por causa
de um buraco que não viu
na calçada e, já na pista,
um motorista o atingiu.
O SAMU foi acionado,
mas Josué não resistiu.

A calçada, por sinal,
ainda não foi nivelada,
mesmo tendo a prefeitura
sido já comunicada;
enquanto os buracos seguem,
a travessia é arriscada.

Contamos estas histórias
pra embasar questionamentos,
reflexões sobre a vida,
decisões e sentimentos:
queremos mobilidade
com afeto e sem lamentos.

Precisamos de um convívio
saudável dos motoristas
com pedestres, cadeirantes,
ciclistas, motociclistas;
com artistas dos semáforos,
ambulantes e skatistas.

O problema do transporte,
vemos, não escolhe idade
e o perigo invade todas
as regiões da cidade,
zona urbana e até rural,
em qualquer velocidade.

Na rede de amor e afeto
dos ciclistas vitimados,
seus parentes, seus amigos
não querem ficar calados.
Às vezes, duras verdades,
eles dizem, indignados:

– A prefeitura é bem rica
e pra tudo tem dinheiro,
mas “segurança no trânsito”
parece não vir primeiro.
Preferem ponte, que é cara,
mas rende bem a empreiteiro.

A infraestrutura urbana
não acolhe, é bem precária;
fazem pontes só pra carros,
sem visão humanitária...
Ciclovias mais seguras:
ISSO é obra necessária!

O uso racional dos carros
e das motos, minha gente,
mas principalmente o transporte
coletivo eficiente
ajudam toda a cidade,
pois preservam o ambiente. 

Vão os ciclistas urbanos
vivendo suas mazelas
e percorrendo a cidade
por vias feias e belas,
rumo ao trabalho e ao estudo,
sempre nas suas magrelas.

A vida, enfim, segue em frente
com acertos e deslizes.
As ghost bikes já fazem parte
da paisagem: cicatrizes
que pedem calma e afeto
para dias mais felizes.

Monumentos à memória
para sensibilizar
ao cuidado coletivo:
precisamos despertar
e nossa cidadania
devemos exercitar.

Junto às bicicletas brancas,
cada palavra que é escrita
como homenagem à vida
faz com que a gente reflita
e esse carinho sincero
deixa a cidade bonita.

Preservação da memória:
cuidado e dedicação
de alguém da comunidade
fazendo a conservação
das bikes, do espaço público...
Isso aquece o coração.

Caminhos interrompidos,
vidas não mais invisíveis:
pela intervenção urbana,
histórias inesquecíveis
são assim retransmitidas
para cidadãos sensíveis.

Em meio ao caos da cidade,
a bike branca nos convida
a olhar pra cada ciclista:
“aqui pedala uma vida;
 chega de mortes no trânsito”,
pede a alma comovida.

          P ressa é coisa perigosa,
          A prendemos e aceitamos;
          U nidos é que ensinamos
          L ição simples, poderosa.
          O nde a vida é mar de rosa?
          B om é viver consciente,
          A ceitando o diferente,
          R espeitando cada irmão,
          J untando verso e canção
          A o que dá sentido à gente.


Saiba mais sobre o tema deste cordel:
www.facebook.com/pg/ghostbikes/
ghostbikesjc.wixsite.com/fccr