Varal de Cordéis Joseenses

Contato: prbarja@gmail.com

(Sugestões de temas são bem vindas!)



sexta-feira, 7 de julho de 2017

CJ 77 - Um Político Infeliz (faz a cidade sofrer)

O cordel abaixo é uma ficção - mas baseia-se em fatos tristemente reais...















CJ 76 - VASTIDÃO INTERIOR (ao vivo)

No final de junho/2017, fui chamado a colaborar com a programação "Fora da Caixa", do Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos. Minha tarefa era desafiadora: eu deveria acompanhar o bate papo com os autores Paulo Freire e Tenório Cavalcanti e fazer inserções poéticas na forma de cordel, compondo em tempo real um folheto sobre o encontro. Nasceu aí o Cordel Joseense 76 (clique no link abaixo para conhecer o texto na íntegra):


Começando os trabalhos, na Sala de Leitura Reginaldo Poeta
A cada duas páginas finalizadas, era feita a leitura em voz alta
 
Todos atentos ouvindo Paulo Freire e Tenório Cavalcanti

Capa do Cordel Joseense 76

terça-feira, 27 de junho de 2017

sábado, 24 de junho de 2017

CJ 75 - Um Cordel a Carolina


Boas novas!
O Cordel Joseense 75 está saindo... em formato de livro ilustrado!
O livro conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus e as ilustrações foram produzidas a partir de quadros de Claudia Regina Lemes.
Teremos lançamento dia 13/7, às 19h, no Parque Vicentina Aranha (São José dos Campos) - e estamos acertando outras cidades e locais.



A todos os que acompanham a trajetória dos Cordéis Joseenses, nosso muito obrigado!
P.R.Barja

sexta-feira, 19 de maio de 2017

CJ 74 - BELCHIOR, eis o meu nome



Sou trovador desde o berço
mas também já passei fome.
Sucesso é coisa fugaz
que chega, mas logo some.
Apresento-me a vocês:
Belchior, eis o meu nome.

Sou apenas um rapaz
tão latinoamericano
quanto Victor Jara e Fito,
Guevara e mestre Galeano,
Mercedes e Violeta,
Bethânia, Gil e Caetano.

Nasci lá no Ceará,
onde, ouvindo repentistas,
logo virei cantador
e me juntei aos artistas
nas feiras, rodas e bares,
até ganhar novas pistas

(segue...)
Paulo Barja

CJ 73 - Julgamento & Testamento de Temer Iscariotes



Satanás:
Boa tarde, meus senhores:
sei que a data é santa, mas
vim aqui numa missão
bem certeira e contumaz.
É chegada a hora e vez.
Apresento-me a vocês:
o meu nome é Satanás.

Presido aqui o julgamento
de um indivíduo sem dotes
que na Terra aprontou muito:
carregou muitos malotes...
Talvez vocês o conheçam
e dele se compadeçam:
eis... Temer Iscariotes!

Começando o julgamento,
pois é esse nosso assunto,
já que tua Carne Fraca
não serve nem pra presunto,
escuta bem e responda
sem enrolação nem onda
o que agora eu te pergunto:

Do golpe que perpetraste
vais alegar inocência?
E o que dizer da Reforma
do Ensino e da Previdência?
Fizeste só por dinheiro
ou pra sentar o traseiro
no trono da Presidência?
Temer Iscariotes:
Que foi golpe, todos sabem;
isso é coisa que não nego.
Mas tenho motivo justo
e só não vê quem é cego:
num democrático pleito
eu jamais seria eleito...
no seu nariz isso esfrego!
Satanás:
Foste o intruso maldito
no rubro céu estrelado:
filho de Cruz Credo e Judas,
sujeitim dissimulado...
Mas o cheque de um milhão
para a Dilma não foi não:
foi pra você, seu safado!
T.Iscariotes:
Nisso não vejo problema
e não mereço o braseiro.
Satanás: a corrupção
está no Brasil inteiro...
FH - não lembra não? -
comprou sua reeleição
com sacolas de dinheiro!
Satanás:
E as missivas que mandaste à
Presidenta: só queixume!
Ali, tua falsidade
com certeza foi ao cume
e eu confesso, vou dizer,
tô doidinho pra saber:
tua mulher teve ciúme?
T.Iscariotes:
Nem ciúme nem remorso:
não me incomode no esquife.
A senhora Iscariotes
vive bem, come bom bife.
Ela tem tudo que quer...
Cunha e eu temos mulher
que é perua, mas de grife!
Satanás:
Deste almoço a mafiosos,
empregaste até ladrão;
foste o exemplo perfeito
de uma podre corrupção.
Se não quer se defender,
eu te aconselho a fazer
humilde retratação...
T.Iscariotes:
Sei que, no meu ministério,
muito ladrão empreguei;
se o Maluf posa de honesto,
isso é culpa minha, eu sei.
Mas algo aqui me redime:
quase nada disso é crime,
pois as leis eu já mudei!

Satanás anuncia o veredito:

Cara de pau! É bem claro
que teu crime foi doloso!
Julgamento, nesses casos,
é mais rápido e gozozo...
Não tente me subornar:
a recatada e do lar
já é minha, seu feioso!

Cá do alto da experiência
que em eras acumulei,
és um caso inigualável
como poucos eu julguei.
Ouve agora, sem um grito:
dou por encerrado o rito
e a pena anunciarei.

É opinião deste juri
soberano, irretocável,
que esse novo Iscariotes
claramente é condenável:
vai cumprir martírio eterno,
SEM SE APOSENTAR, no Inferno,
de modo inafiançável!

Cá embaixo já tem amigos
e parceiros de contrato:
muita gente de amarelo
da cabeça até o sapato,
sem contar a grande lista
daqueles que, na Paulista,
pagaram o Grande Pato!

Receberei novo hóspede
com uma festa caliente
onde ele vai conhecer
o meu famoso tridente
tomara que se sacie
por milênios e aprecie
sem querer ranger o dente!

Aos meus amigos demônios,
peço colaboração,
pois o novo morador
merece celebração:
fez do Brasil um inferno!
Cá terá trabalho eterno.
Bem merece a malhação!

Porém, antes que comece
seu infindável tormento,
há uma coisa imprescindível
que não tarda um só momento.
Ordeno então: seja fato.
Que a fase final do ato
seja assim seu TESTAMENTO!

Testamento do condenado

Aos quinze dias de abril
de dois mil e dezessete,
na cidade de São Paulo
de Piratininga, o set
é o Largo da Batata, 
onde o que é mau se desata
nem que chova canivete.

Fui chamado a trabalhar
e por isso compareço:
eu, Satanás, Tabelião
do Ofício sem Endereço
lá da Comarca do Inferno,
onde muitos usam terno
mas ninguém merece apreço.

Perante mim comparece
Temer Iscariotes, réu
desprovido de caráter
(que já foi pro beleléu);
vem de família esquizoide:
Iscariotes Lumbricóide
sem esperança de céu...  

Entre juras de amizade,
traição, golpe, tormento,
desfaçatez e saudade,
lança aqui seu testamento
sem temer desagradar
os capangas a aguardar
ansiosos tal momento.

Perante vós, testemunhas
desta solene ocasião;
também na presença ilustre
de parceiros de traição,
Iscariotes brasileiro
diz quem vira seu herdeiro
e quem vai lamber sabão:
T. Iscariotes:
– Eu, Temer Iscariotes,
Judas desclassificado,
disponho aqui sobre tudo
que amealhei no Estado.
Dar-vos-ei conta, ó chifrudo,
sem temer ser linguarudo:
ponho escrúpulos de lado

Deixo a Marcela Iscariotes
colher de prata e panela,
uma grana para as compras
e também uma tabela
para conferir os preços,
especialidade dela.

Do Cu-Cunha não me esqueço:
foi parceiro sem temer.
A grana ele ainda tem,
mas cagou-se ao perceber
que tinha ficado nu:
foi preso! Salvo seu cu
deixando as calças pra ele.

Deixo ao Fungador Aecius,
cem caixas de Novalgina,
pois manter um helicóptero 
e ter que fazer faxina
dá muita dor de cabeça
- ainda mais com cocaína.

Para Dilma Roussefovsky
não deixo nada, nadinha:
nenhum cargo no governo
e nenhuma moedinha.
Fez pouco caso de mim?
Que se vire então sozinha!

Para os pobres também: nada!
Nem sequer um quinhãozinho, 
pois tudo que eu possuía
vou passar pro Michelzinho,
pra que se aposente cedo,
bem como o pai, igualzinho.

Tenho ainda as oferendas
a quem me patrocinou:
a gangue lá dos States
que gosta de fazer show
e, na maior cara dura,
nosso petróleo levou.

Para meu parceiro ilustre,
o nobre senhor Dinheiro
(que falta que ele me faz
quando bate o desespero!)
deixo a dívida aumentada
desse país por inteiro.

Pra malfadada Esperança,
deixo labuta dobrada
pra poder se aposentar
só em idade avançada
- mas isso se antes a Morte
não lhe der sua foiçada.

O que sobrou do Brasil
fica a ser privatizado:
por isso mesmo é que eu fiz
tudo ser sucateado.
Parte do lucro da venda
vai pra Câmara e Senado.

Na verdade eu governei
na palavra do Senhor, 
mas era o senhor de terras, 
o empresário ditador,
o juiz comprado fácil
e o banqueiro usurpador.

Para o Povo Brasileiro,
seja da roça ou cidade, 
nada deixo de valor:
que provem minha maldade!
Já perderam os direitos
e até mesmo a dignidade!


Se alguém quiser reclamar,
vai saber o que é desgraça:
deixo sem festa e sem dança!
Pra acabar, só de pirraça 
eu baixo um decreto póstumo
proibindo a cachaça!

Esse povo preguiçoso
já não quer se escravizar,
gosta de samba e cachaça,
vive sempre a improvisar,
mas eu já tenho a medida
pra isso tudo se ajeitar:

vou proibir até água
e tudo vou censurar.
Crise hídrica de verdade
essa gente vai passar,
pois vou vetar a cachaça:
com sede eles vão ficar...

Só assim terei sossego
sem ninguém me incomodar.
Quer passear? Vá ao shopping,
esse sim é um bom lugar.
Não tenho saco pra gente
que a rua quer ocupar!

Deveras desagradável
essa gente que protesta
e despreza um presidente
que vai ter chifre na testa.
Comemoram muito agora
pois chegou a minha hora,
mas o povo é que não presta!

Essa gente aí do samba
não respeita autoridade:
dizem que fui presidente
sem ter legitimidade...
O golpe foi tucanóide!
Vão atrás deles agora!

Só de ouvir a bateria
eu já começo a tremer:
lembro que não tenho voto
nem quem vá me defender!
Satanás tá do meu lado,
mas tridente é de doer.

Pra sambistas direi sempre:
Vá de retro, arrastão!
Vão se meter na política
para acordar o povão?
Vocês só querem folia
e apreciam confusão.

Querem cantar sobre tudo,
fazer crítica... não dá!
Samba assim é perigoso,
mudem essa letra já!
Não citem o juiz Morus
nem meu parceiro Jucá...

Esqueçam cargo pro Serra
e conversa com Gilmar,
esqueçam pato do Skaf
que ajudamos a inflar
e (ai meu Deus) o MBL
não queiram nem comentar...

Eu fui um rei ruim e fraco
fraco mesmo de dar dó.
Vivi com medo de tudo;
fiz o que mandaram, só...
Não precisa fazer samba
pra desatar esse nó.

Nem pensem em vir pra rua
com instrumento na mão:
não é um bando de sambista
que vai ensinar lição.
O povo nem quer saber
que a gente é ruim de doer:
NÃO FAÇAM REVOLUÇÃO!

Saio daqui condenado,
tão fajuto como entrei;
logo vou virar carvão
e esquecerão que fui rei.
Eis a RODA DA FORTUNA!
Mas eu nem acho que errei...

Preciso reconhecer:
fui capacho sem igual,
medíocre, subalterno,
servente do capital.
Tô lascado e vão vocês
começar o Carnaval...!!!


sábado, 25 de março de 2017

CJ 72 - Eu TAMBÉM defendo a UENF

Em contato com amigos queridos que são professores da UENF, surgiu a ideia de construir um cordel para registrar a história e o momento daquela instituição. Assim, os Cordéis Joseenses somam-se à luta pela valorização da UENF e de todos os trabalhadores universitários: #UENFresiste!


História, muitos o dizem,
existe é pra se contar,
mas também pode servir
para conscientizar;
o que vou contar agora
vai fazer você, na hora,
a nossa causa apoiar.

Essa História começou
com a Constituição
Estadual de 89,
que previa a criação
de uma universidade
em Campos e outras cidades
- isso não foi fácil, não...!

Muita gente se esforçou,
gerando até alarido:
milhares de assinaturas
embasaram o pedido
que a Assembleia aprovou
e o governo sancionou
- conquista do povo unido!

Uma universidade
estadual nasceria:
era a Norte Fluminense,
razão dessa cantoria.
A década de 90
começava assim sedenta
de Ciência e melhoria.

Com a eleição de Brizola
para o governo do Rio,
o projeto da UENF
grande impulso conseguiu
com mestre Darcy Ribeiro,
espírito pioneiro,
grande orgulho do Brasil.

Darcy tinha no currículo
a grande UnB
e outras universidades
que até hoje a gente vê
pela América Latina
com pesquisa e disciplina,
eu garanto pra você.

Darcy, muito experiente,
abraçou o desafio;
criar, projetar a UENF
mexeu demais com seu brio
e ele fez, com grande afeto,
seu mais radical projeto
aqui mesmo, no Brasil.

“Um modelo inovador”,
nisso Darcy foi enfático:
em vez de departamentos,
laboratórios temáticos
e multidisciplinares,
para ampliar os olhares
de teóricos e práticos.

Em 92, nasceu
a Fundação Estadual
Norte Fluminense; tinha
uma missão sem igual:
manter a UENF sem falta
e implantar um Parque de Alta
Tecnologia, afinal.

Dentre todas do Brasil,
foi a UENF a pioneira
a contratar só doutor
para ali seguir carreira.
Pesquisa e pós-graduação
garantem sua posição
na educação brasileira.

O ano de 93
é preciso destacar:
foi quando se iniciou
na UENF o vestibular.
Dia 16 de agosto...
“Cada aluno no seu posto,
que a aula vai começar!”

Em dezembro desse ano,
mais uma conquista vinha:
instalada em palacete
doado por Finazinha,
surge a Casa de Cultura
em formosa arquitetura
como ali mesmo convinha.

No fim de 2001,
uma significativa
vitória: autonomia
(que bom!) administrativa
e a UENF muda seu nome:
“Darcy Ribeiro” não some
nunca mais: memória viva!

A luta da autonomia
foi de todos: professores,
várias turmas de estudantes,
centenas de servidores...
Uma fase ali findou-se;
nova etapa iniciou-se
- novos desafios e cores.

A UENF consolidou-se
buscando aproximação
com prefeituras e agências
de fomento e formação,
bem como universidades,
outras tantas entidades
e empresas, sim, por que não?

Em 2003, a UENF
foi o Destaque do Ano
na Iniciação Científica:
seus bolsistas, sem engano,
chegavam até o mestrado
e também ao doutorado.
Pesquisar: esse era o plano!

Segundo o regulamento,
a instituição a vencer
precisava abrir espaço
pra outras, sem concorrer.
A UENF, já premiada,
busca então outra empreitada
e volta a surpreender:

No ano de 2008,
ganha o Prêmio Nacional
de Educação em Direitos
Humanos. Sensacional:
várias organizações
reconhecem as ações
da UENF em nível global.
  
Chegando 2009,
de novo a UENF, prolífica,
ganha o Destaque do Ano
na Iniciação Científica,
comprovando a excelência
do desempenho em Ciência
e a formação magnífica.

Por 4 anos seguidos,
a UENF foi colocada
numa lista das melhores
pelo MEC elaborada,
graças ao seu IGC,
que eu explico pra você
de forma simplificada.

(É o IGC que avalia
qualidade em graduação
e também de toda a pós
feita na instituição.
Índice Geral de Cursos
- se você prestar concursos,
não esqueça disso não...)

No IGC/2011,
a UENF foi a melhor
em todo o Estado do Rio:
isso sabemos de cor.
E é por tanta história boa
que essa eu luta em nós ressoa
e nosso apoio é maior.

Com a crise financeira
- e política - no Rio,
muitos problemas vieram
e a UENF então se viu
correndo risco real
de prejuízo fatal.
Cadê a verba? Sumiu!?

Em 2016
parou de haver o repasse
de recursos do governo
à UENF, gerando impasse.
Pela Norte Fluminense
teve até campanha: pense
e a universidade abrace!

 Ainda no mesmo ano,
suspendeu-se atividade
da empresa de segurança
dentro da universidade
por atraso em pagamento:
é esse o maior tormento
da atual realidade.

Mesmo vivendo esse drama,
o trabalho segue em frente
com busca de alternativas
que abram caminhos pra gente.
No hospital veterinário,
um exemplo extraordinário:
arraiá beneficente!

As ações são mesmo muitas,
merecem noticiário:
mesmo ocorrendo os atrasos
em cada verba e salário,
é tanta iniciativa
de gente boa e ativa
que nem cabe no inventário!

Quando a gente tem história,
tem mais é que resistir:
diante dos desafios,
não podemos desistir.
Ninguém aqui está sozinho.
A UENF mostra o caminho:
união para seguir!
P.R.Barja

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CJ 71 - Cordel da RMVale

Sai essa semana o Cordel Joseense 71. Trata-se do relato em cordel de 2 encontros acadêmicos realizados na Univap a respeito de propostas para a Região Metropolitana do Vale, a RMVale. A versão em cordel impresso sai com uma terceira parte, defendendo a ideia de que somente com diálogo entre academia e poder público será possível atender às demandas da sociedade a respeito das regiões metropolitanas.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

NA MEMÓRIA DA TRADIÇÃO: poetas populares brasileiros

   Grande notícia! Saiu recentemente o livro Na Memória da Tradição, fruto de projeto CNPq desenvolvido por equipe vinculada à Universidade Federal da Paraíba. No livro, a pesquisadora Beth Baltar e outras cinco autoras debruçaram-se sobre mais de um século de produção cordelística e apresentam no livro 150 poetas populares brasileiros.
   Dada a relevância e amplitude do trabalho, é para nós uma grande honra aparecer nas páginas do livro, ao lado de mestres históricos e absolutos como J.Borges, Pedro Monteiro, Rodolfo Coelho Cavalcante e tantos outros.
   Abaixo, trechos do livro. Às autoras (e, como sempre, aos leitores dos Cordéis Joseenses), nosso muito obrigado!













quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CJ 70 - Cultura É Prioridade




São José dos Campos tem
fama por toda a nação
pois é sede da Embraer,
“capital da aviação”.
Tem um polo industrial
- muito bom, muito legal -
mas não é perfeita, não:

Se aqui temos aviões
pra voar por toda parte
(e quem sabe até foguetes
capazes de ir a Marte),
qualquer cidade é doente
se não traz pra sua gente
ações de Cultura e Arte.

Só a título de exemplo,
o cordel agora informa:
havia um cine-teatro
que fechou para reforma
e digo, sem ter enganos,
que por quase 15 anos (?!)
ficou fechado. Era norma!

Para seguir nessa esfera,
o Fundo Municipal
de Cultura aqui gerou
discussão fenomenal;
após anos na gaveta,
não foi parar na sarjeta,
sendo aprovado, afinal.

Outro exemplo da Cultura
que vivia em desacerto:
se alguém quisesse assistir
alguma orquestra, um concerto,
precisava viajar
até São Paulo pra achar
ou passava grande aperto.

De repente, a boa nova:
Orquestra Municipal
- a primeira que haveria
em âmbito regional!
A Sinfônica avançou
e bem depressa virou
nosso orgulho musical.

Somos movidos por sonhos
e pela realidade:
com músicos e regente,
o sonho virou verdade.
Trabalho era a mola mestra
da nossa querida Orquestra
Sinfônica na cidade:

Atuando junto à Rede
Municipal de Ensino,
educou musicalmente
muita menina e menino
apresentando instrumento
com muita graça e talento:
cello, viola, violino...

A Orquestra também marcou
a vida dos professores:
bem melhor que olhar no livro
as notações e valores
era ouvir, presenciar
os músicos a tocar
assim ao vivo e em cores! 

No teatro, nas escolas,
parques, locais variados,
em quartetos ou completa,
com solistas convidados,
ajudando a Educação
e formando o cidadão...
Objetivos alcançados!

De todos os seus eventos,
incluindo os festivais,
os piqueniques sinfônicos
são os que me agradam mais,
pois adoro ver criança
regendo ou fazendo dança
ao som de obras orquestrais.

Num município, os projetos
que agregam cidadania
à vida dos moradores,
trazendo paz e harmonia,
precisam ser preservados:
não podem ser cancelados
por inveja ou tirania.

Por isso, quando se soube
do fim da Orquestra Sinfônica,
a cidade reagiu
com rapidez supersônica,
fazendo abaixo assinado
e exibindo desagrado
por ver a Cultura agônica.

Uma Orquestra requer anos
para sua formação;
precisa estar atuante,
fazer apresentação!
Nacional ou importado,
todo instrumento parado
perde a sua afinação.

Já foi provado em pesquisa
algo que eu acho evidente:
Música, na Educação,
melhora até o ambiente 
e sabemos que a Cultura
pode auxiliar na cura
de quem estiver doente.

Tudo está bem conectado.
Não se trata de escolher
simplesmente isso ou aquilo :
precisamos combater
esse discurso do mal
e a chacina cultural
que apenas serve ao poder.

Falam de crise econômica,
querendo justificar
com o discurso de sempre:
“Nós precisamos cortar...”
Nesse caso, logo aviso:
façam o que for preciso
pra Cultura preservar!

Cada vez que uma pessoa
ou a imprensa, por simplismo,
limita uma discussão
cultural a financismo,
logo nós desconfiamos
e depressa perguntamos:
é ignorância ou cinismo?

É preciso corrigir
os gastos equivocados
e mesmo denunciar,
se os direitos são cortados.
Gasta-se com gabinete,
cafezinho, até sorvete...
Cortem daí, seus danados!

Fala-se muito, hoje em dia,
em gestor eficiente
e é pensando nisso mesmo
que se pede, urgentemente,
revisão da decisão.
Cultura é Educação
e traz Saúde pra gente!

O país inteiro sofre
com a incompreensão
dos governantes eleitos
quanto ao que é sua missão:
melhorar a qualidade
de vida em cada cidade
não só em ano de eleição.

Jamais se deve tomar
decisões contra a cidade
sem sequer ouvir a voz
de toda a comunidade.
A cada vez que isso é feito,
governador ou prefeito
perdem credibilidade.

Partidário da Cultura
sem bandeira de partido,
lamento quem fere as Artes
e se mostra ressentido,
mas sigo em minha batalha:
valorizo quem trabalha
e vive em Arte envolvido.

P arabéns aos cidadãos
R ealmente conscientes,
B atalhadores das Artes,
A fetivos e valentes:
R eunidos, somos fortes;
J untos, venceremos cortes;
A ssim ficamos contentes.

Paulo Barja, Janeiro/2017

domingo, 23 de outubro de 2016

CJ 69 - O Cordel da Liberdade

Feito por encomenda para um curta metragem de animação produzido por Pedro Palma e Ronaldo Ramos (FCSAC/UNIVAP), o Cordel Joseense 69 conta a história de um garoto paulistano que adorava a cultura oriental, mas (ainda) não conhecia um certo bairro...


José da Silva nasceu
na perifa paulistana.
Filho de família simples,
que não tinha muita grana,
estudava e ajudava
os pais durante a semana
(...)
Paulo R. Barja

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CJ 68 - "Não tenho como provar, mas tenho convicção!"


Saiu em setembro o Cordel Joseense 68. Trata-se de um cordel político satírico, "levemente baseado em fatos reais"... Composto em décimas, vem com uma novidade: é o primeiro Cordel Joseense a ter notas de rodapé, para contextualizar as citações/referências.



domingo, 10 de julho de 2016

"Fico cada vez mais rico" (sextilhas)

 - Produção Coletiva a partir da Oficina de Cordel ministrada no SESC Taubaté (9/julho/2016)


Distraído estava eu
pelo SESC a caminhar
e o caderninho de eventos
comecei a folhear;
pensei em jogar basquete, 
mas no cordel fui ficar.

A oficina era livre
para quem quisesse entrar
numa nave cultural
- não saía do lugar,
porém quem nela embarcasse
poderia viajar...

Nosso ponto de partida
foi a Europa Medieval;
voamos uns quatro séculos,
passamos por Portugal
e com Leandro de Barros
cá chegamos afinal.

Muita coisa eu aprendi
e ainda vou ensinar
cada vez que venho aqui
ou qualquer outro lugar:
fico cada vez mais rico 
na cultura popular!

Autores:
André Luiz, Felipe Oliveira, Paulo R Barja, Renan WM, Renata P Cursini, Rubens Júnior

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