Varal de Cordéis Joseenses

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(Sugestões de temas são bem vindas!)



sábado, 6 de abril de 2019

Cordel Bilíngue – Mensonge (Um Cordel HuMOROístico – 2)


Um causo sensacional
ocorreu no Ministério
que não cito por pudor
mas já mostrou não ser sério
- ao ouvir ou ler a história,
será desfeito o mistério...

Falo do depoimento
que o ministro concedeu
a uma comissão na Câmara
que, acredite, povo meu,
ele já chamou de “câmera”
- um poeta, penso eu...

Falando sobre um projeto
irritante até pra monge
o ministro da gramática
não passou perto nem longe
ao criar nova palavra
pronunciada assim: “CONGE” ?!?!

Depois de muitos estudos
e muito meme engraçado,
acredita-se que o super-
ministro tenha tentado
falar a palavra “cônjuge”
e tenha se complicado.

Confesso: fiquei com pena
do sujeito que, afinal,
não tem mostrado serviço
como seria normal,
e dá margem a chacota
superministerial.

Por isso, quero ajudar,
com meus versos de cordel,
o ministro e nem lhe peço
que me tire seu chapéu,
pois faço com gentileza
de corretor o papel.

Quando, enfim, há 2 pombinhos
amarosamente unidos,
com seus sonhos e esperanças
docemente repartidos,
vão pra cama e já se sabe:
lá namoram CONGE-midos.

E, no café da manhã,
vocês podem ter ideia,
os 2 continuam juntos
- não precisam de plateia.
Tomam suco e comem pães
e torradas CONGE-leia.

Porém, não basta somente
ficar sempre lado a lado;
todo dia é importante
cativar o ser amado,
ou o relacionamento
terminará CONGE-lado.

Nesse ponto, o bom casal,
em vez de medidas duras,
precisará de conversa
e de intenções sempre puras.
Não que eu saiba tanto assim:
são somente CONGE-cturas.

Por fim, reestabelecida
a paz outrora quebrada,
espero de coração
vida bem mais animada.
Que o nobre casal então
Se alimente CONGE-mada.

Pra encerrar este cordel
sem irritar os vizinhos,
vou tomar agora um suco
de laranja com gominhos
- e, se estiver meio quente,
eu tomarei... CONGE-linhos!

sexta-feira, 5 de abril de 2019

O Cordel Sensacional do Ministro-Calendário


O ministro da Justiça,
para se modernizar,
resolveu entrar no twitter
e, pra conta inaugurar,
fez uma selfie e postou.
Achou que ia arrasar...

E, para provar que a conta
era dele e atual,
decidiu usar um método
bem pouco convencional:
quando foi tirar a foto,
não quis usar um jornal...

Fez a foto segurando
um calendário, que abriu
no mês que estamos vivendo
e assim mostrou ao Brasil
que de provas nada entende
- mas onde é que já se viu?

Esqueceu-se o tal ministro
que, desde o ano passado,
o calendário é vendido
a qualquer pobre coitado
que pode usar direitinho
ou virar no mês errado!

E se ele virasse a página
para um mês posterior?
Seria então futurista
ou do tempo aviador?
Ministro que pensa pouco
perde assim qualquer valor!

Sugiro ao justo ministro:
vire as páginas e faça
fotos para cada mês.
Rapidinho o tempo passa...
Tem twitter pro ano inteiro
quem gosta de fazer graça!

Pode até trocar de roupas
a cada foto e fazer
o seu próprio calendário:
vai lá, querer é poder!
Há muitas alternativas
pra quem quer aparecer.

Ó, espelho, espelho meu
- se for selfie é o celular -,
será que existe no mundo
Justiça tão singular
que produz a própria prova
sem que ela possa provar?

Ministro, responda agora:
pra onde foi o Queiroz?
E da morte de Marielle
quem foi o mandante atroz?
Que silêncio... Ah, já sei:
o senhor perdeu a voz!

No Brasil, já fez sucesso
o grupo dos Tribalistas;
também bombam sempre os posts
dos tais Sensacionalistas,
mas os ministros que temos
chamam-se Diversionistas:

Tem ministra-goiabeira
que só tem rosa no armário,
ministro meio tchuchuca,
Posto Ipiranga precário
e eis que agora inauguramos
o ministro-calendário!

P.R.Barja

terça-feira, 6 de novembro de 2018

CJ 84 - Contradições da Cidade


A seguir, disponibilizamos a capa (feita por Claudia Regina Lemes) e a terceira parte (final) do Cordel Joseense 84, que destaca as contradições de uma cidade rica: São José dos Campos.




terça-feira, 30 de outubro de 2018

Sextilhas para Estatística (desarmar sempre é preciso)


Três pessoas caminhavam
por aquela rua estreita.
Uma só vota na esquerda,
outra vota na direita
e a terceira anula o voto.
Qual das três seria eleita?

Eleita por uma bala
perdida ou persecutória
que emprestava segurança,
vemos agora, ilusória
e aumenta nossa estatística
em amostra aleatória.

Aleatória, porém
planejada no congresso
- que aprovara, tempos antes,
  um projeto com sucesso
  para armar o cidadão
  com ordem, bala e progresso.

Não tinha dono essa bala,
mas a indústria armamentista
comemora o acidente
"tão desenvolvimentista".
Produz mais balas, então.
E o morto? Aumenta a lista.

A lista tem índio, negro,
mulher, criança e também
membros da diversidade
que não mataram ninguém.
Será mesmo aleatória
a bala? Reflitam bem.

Não peçam versos alegres
neste momento de dor.
Hoje o estoque foi zerado
por tiro e torturador.
Farei apenas silêncio.
Silêncio ensurdecedor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

HALLOWEEN ANTECIPADO!


Numa noite de domingo
- e num país tropical -
muita gente percebeu
um estranho ritual
que era capaz de assustar
quase todo ser mortal.

Fantasmas quase esquecidos
saíram dos seus armários
junto a bonecos infláveis
de assassinos sanguinários
tomando conta das ruas
em desfiles temerários.

Bruxas andavam à solta,
loucas pra comemorar.
Uns faziam festa em casa,
outros iam para o bar
e a festa, gente, era dessas
sem hora pra terminar.

Um zumbi passou de carro:
com uma mão, dirigia
e, com a outra, rojões
ele acendia e erguia.
Quase que estourou a mão,
só por conta da euforia!

Vampiros, tomando a praça
(velho, jovem e menina),
enrolavam-se nas capas,
mandavam ver na buzina
- achei que ensurdeceria
antes de chegar à esquina.

Pediam sangue, os danados!
"O que fazer?", pensei eu.
Todo mundo que pensou
a mesma coisa, correu;
cada qual foi para um lado
e depressa se escondeu.

A TV cobriu a festa
- parecia até um show.
Um vampiro federal
a todos cumprimentou,
mas seu pronunciamento,
na real, não empolgou.

Veio a madrugada.Insone,
esperei amanhecer.
O tempo estava nublado
e não vi o sol nascer.
O celular deu problema
e eu não soube resolver:

o calendário, maluco,
pôs-se a marcar data errada!
Muita gente reparou,
mas ninguém entendeu nada.
Houve quem achasse graça,
mas não pude dar risada.

Uma certeza latente
tomou a gente e, por fim,
já na edição de segunda
os jornais deram assim:
"BRASIL, NA FRENTE DE TODOS,
ANTECIPA O HALLOWEEN!"

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Artigo novo sobre os Cordéis Joseenses - da Ciência à Resistência Cidadã


Acaba de ser publicado novo artigo, em parceria com a profa. Claudia Lemes, sobre a relação entre a produção cordelística, a ciência e a cidadania. Para ler o texto na íntegra, basta acessar o link abaixo: 

Cordéis Joseenses - da Ciência à Resistência Cidadã

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

CJ 83 - Quando é Tempo de Eleição


Arte de Lucaz Mathias (Cão)

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
o trânsito até piora,
de tanto que a toda hora
há uma inauguração:
vias, praças... por que não?
Mesmo a obra em andamento
recebe, em meio ao cimento,
uma placa bem bonita.
Por isso eu peço: reflita
sobre esse acontecimento.

Político de carreira
joga dinheiro pro alto:
tudo ganha novo asfalto.
Não precisa? Que besteira!
A claque agita bandeira
e seu troco vai ganhando.
Político passeando
acena muito, à vontade
- pintou oportunidade,
  sai logo cumprimentando.

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
todo semáforo é isso:
político que era omisso
vem apertar nossa mão.
Riscam a palavra “não”
lá do seu vocabulário;
prometem um dicionário
de coisas lindas e belas.
Acenam pelas janelas...
Pensam que o povo é otário!

E os santinhos? Quem aguenta?
Entopem até os bueiros.
Recursos eleitoreiros,
discursos que se requenta...
Tudo isso a gente enfrenta
exercendo a tolerância,
mas quero boa distância
de quem pressiona por voto,
pois não sou nenhum devoto
da pressa nem da inconstância.

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
se, na hora de almoçar,
a TV você espiar,
vai ter muita decepção.
Eu já dou a explicação:
é o horário eleitoral,
que pra mim pega bem mal
se não debatem propostas
- depois vão virar as costas
  pro eleitor, pobre mortal.

Número de candidato
é o que mais se enfatiza
só para ver se enraíza
no cérebro. Como é chato!
Parece até carrapato
grudando em quem menos pensa
e transmitindo doença:
a tal “desinformação”.
QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
pensar faz a diferença!

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
tudo é sentimentalismo:
“Mesmo que eu caia no abismo,
 vou defender meu rincão!”
Nós bem sabemos que não:
o sujeito fala assim
porque sabe que, no fim,
consegue mais uns votinhos.
Chega a pisar em espinhos
pra se eleger, vai por mim!

Alguns posam de bonzinhos,
mas são reis do preconceito:
não quero um desses eleito
com seus discursos mesquinhos!
Queremos novos caminhos:
respeito à diversidade,
livre expressão da vontade
e poder de decisão.
QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
queremos sinceridade!

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
tudo se escreve na areia;
eu acho uma coisa feia,
mas eles não acham não,
pois mudam de opinião
conforme seus marqueteiros,
que ensinam golpes certeiros
para agradar ao mercado,
deixando às vezes de lado
interesses brasileiros!

Velho sinal de campanha
é a dieta do político:
mastigando ansiolítico
como se fosse castanha,
aceita tudo que ganha,
repete almoço e até
as xícaras de café
toma doze sem demora...
depois diz “Não tenho hora
pra comer, sabe como é?”

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
muita coisa se promete:
em tudo “os cabra” se mete,
pra tudo tem solução...
mas, depois da apuração,
aí são outros quinhentos:
os preços sofrem aumentos,
surgem as dificuldades,
apaziguam-se as vontades,
e amontoam-se os lamentos.

Tudo isso nos desconcerta,
desanima e dá temor,
mas apelo ao eleitor:
investigue! Siga alerta!
Jamais adote a incerta
e insensata opinião
de achar que é tudo ladrão.
“Fora todos”? Não, diacho!
no meio de tanto escracho,
sempre se encontra exceção.

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
impressiona mal a mim
gente que só diz assim:
“Eu sou contra a corrupção!”
Não tem outro assunto não?
Esse papo é mais furado
que agenda de deputado
que na câmara só falta
e solta a desculpa incauta:
“É emenda de feriado...”

Candidato que se cala
sobre inclusão social,
mas acha muito normal
ir a jantares de gala,
não tem plano e nunca fala
sobre o apoio à Cultura,
quer voto na cara dura
mas comigo está ferrado
- e não voto no safado
  que elogiar ditadura!

QUANDO É TEMPO DE ELEIÇÃO,
fique atento à inconsistência
de quem defende a violência
e vem dizer que é cristão.
Esse não me engana não!
Não voto nem por decreto
em quem humilha os sem teto
e ofende mulher ou gay,
descumprindo assim a lei
- e ainda jura que é correto!

Por fim, pesquise direito
quem é candidato a vice,
pra não ouvir “eu te disse!”
depois de acabado o pleito...
Pra vice ruim não tem jeito:
pode até espernear
mas, pra não ter que aguentar,
melhor dizer “ELE NÃO!”
já bem antes da eleição
– não se pode bobear.


P. R. Barja

CJ 82 - Cordel do Serviço Social




O dia 15 de Maio
é uma data especial
em que a gente homenageia
um lindo profissional,
pois essa data é o dia
do Assistente Social.

Na faculdade, escutamos
professora e professor
que falam da profissão
com leveza e bom humor
- marcas de todo Assistente
  que trabalha com amor.

Afinal, o que queremos?
Desafios pra enfrentar:
não calar frente à injustiça,
tudo fazer pra mudar
e pra melhorar o mundo,
a cidade, o bairro, o lar.
(...)


- trecho inicial do cordel

sábado, 15 de setembro de 2018

Décimas para Gero

Com a vinda de Gero Camilo para a FLIM, aqui em São José dos Campos, era inevitável que a poesia se derramasse:


A Vida fica mais bela
e o Brasil, mais brasileiro
quando aqui nesse terreiro
aparece na janela
Adriana Couto. É ela,
sempre um sorriso no olhar,
que chega pra anunciar
um cabra que vale xilo:
o grande Gero Camilo
que veio nos visitar.

O Brasil é grande assim,
do Ceará à Paraíba:
vem por baixo, vai pra riba,
mora em você, mora em mim.
Esse Brasil não tem fim,
por mais que tenha inimigo;
nós protestamos, eu brigo,
posso até perder o centro,
mas trago sempre aqui dentro
o país que é meu abrigo.

Gero diz grande verdade
já no primeiro momento:
"Penso que o distanciamento
  me trouxe profundidade."
Poeta, canta à vontade
e acerta em nós sua seta.
Chama então outra poeta:
Maria Vilani diz:
“Grajaú é o meu país!”
Eis a verdade completa!

Mas poesia é mesmo time:
pessoal e coletiva.
Se mantém a voz ativa,
é em grupo que se redime.
Isso não é nenhum crime,
como posso constatar:
no interior e no ar
vive a poesia de Hilda;
quem traz Adélia é Zenilda
cotidiano a brilhar.

Beleza que não se inventa:
Paulo Freire segue em nós.
Maria aprumou a voz;
foi estudar aos 40!
Talento que assim se esquenta
é uma receita de bolo
que se improvisa e dá rolo
porém tem final feliz...
Essa mulher hoje diz:
“Eu sou a mãe do Criolo!”

“Minha primeira leitura
Foi um livro manuscrito",
disse Gero. Que bonito
é o processo da Cultura!
Biblioteca, que loucura:
pelo título escolhia
e, a cada livro que lia,
aprendia, o que é normal;
o seu referencial
ele aos poucos construía.

Percebeu assim, arisco:
faltava protagonismo
pra ele naquele abismo
de clássicos. Vida é risco!
“Quem sabe agora eu petisco,
lá na USP arrumo vaga...”
Poeta às vezes se caga,
porém não desiste não:
escreveu A Procissão,
que até hoje bem lhe paga!

Simplicidade é um dom
que pra sempre nos cativa.
Poeta vive à deriva,
mas isso pode ser bom.
Quando atua ou faz um som,
gera no peito escarcéu
e leva a gente pro céu
lendo quarteto e terceto;
comprou livro de soneto
com a grana do aluguel!

Nesse encontro literário,
meus versos eu ofereço
àqueles que não tem preço
e compõem meu relicário.
Gero é extraordinário
porque é próximo da gente.
Sua presença é um presente
e nos renova a esperança
de um Brasil que inda é criança
mas já fica experiente.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Cordéis Joseenses no I CONEFEA - Congresso Nacional de Educação

Em setembro/2018, os Cordéis Joseenses estiveram presentes no I Congresso Nacional de Educação - CONEFEA, promovido pela UNIVAP no Campus Urbanova. Tivemos uma mesa para exposição e venda de livros e cordéis, e no dia 5/set/2018 apresentamos um trabalho sobre os temas escolhidos pelos alunos em oficinas de cordel ministradas:



Clique AQUI para ler o artigo com o trabalho completo.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Conferência Livre em Cordel

     Neste mês de abril, estivemos no Pinheirinho dos Palmares, em São José dos Campos, onde participamos do Projeto Conferências Livres, etapa da Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente:

     A participação dos Cordéis Joseenses no evento teve dois momentos: i) acompanhamento das atividades de acolhida e integração, registradas em cordel; ii) orientação da criação de poema coletivo em métrica de cordel, vinculado ao tema proposto aos jovens.
     Destacamos dois pontos, no que se refere à participação dos jovens no evento: i) a participação foi majoritariamente feminina (os meninos apresentaram maior tendência à dispersão, enquanto as meninas participaram ativamente); ii) quase todos os participantes apresentavam idades entre 8 e 12 anos, ou seja, a participação infantil superou em muito a dos adolescentes. 
     Seguem os poemas compostos:

INTEGRAÇÃO

- Você veio aqui pra que?
Pode agora responder.
- Eu não tô fazendo nada;
 vim aqui só pra comer,
  mas minha amiga me disse:
  temos muito a aprender...

E uma coisa importante
desse nosso aprendizado
é perceber que aprendemos
com o colega do lado
e que acaba, nesse instante,
de nos ser apresentado.

Ouvir é muito importante:
é a primeira condição.
Para aprender e ensinar,
tem que prestar atenção
e perceber o que o outro
tem a ensinar, como não?

Na teia que a gente forma,
todo mundo colabora:
o sentimento de dentro
podemos botar pra fora
e construir a união
dia a dia, hora a hora.

Nossas mãos são diferentes:
são diferentes na cor,
diferentes no tamanho,
diferentes no calor
- mas todas são criativas:
a do aluno e a do doutor.

As diferenças que temos
são positivas pra gente:
o arco-íris é bonito
e é todinho diferente.
Quanto mais cores unidas,
mais belo é o nosso ambiente.


NA ESCOLA

Quando estamos na escola
e queremos aprender,
passamos a aula inteira
estudando pra valer,
escutando a professora
e o que tem a nos dizer.

Quando, no meio da aula,
alguém mostra preconceito,
magoando o coleguinha
sem que tenha esse direito,
isso dói no coração,
pois demonstra desrespeito.

Outros exigem respeito
mas não tem educação:
fazem barulho na aula,
falam muito palavrão
atingindo o professor
no ouvido e no coração.

Se você chuta a parede
ou agride o companheiro,
desperdiçando a merenda
e também nosso dinheiro,
mude logo de atitude:
deixe de ser barraqueiro!

A gente veio aprender,
mas pode conscientizar,
respeitando e dando exemplo
de como compartilhar
um espaço que é de todos
e que pode melhorar.

Temos oportunidade,
com caneta e com papel,
de expressar nossas ideias
escrevendo até cordel.
Somos arco-íris vivo;
nosso bairro é o céu.


CONCLUSÃO

Percebemos que a escola
tem muita diversidade;
cada aluno tem a sua
própria personalidade,
mas calma, que isso não dói:
a diferença constrói,
se existe boa vontade.

Convivência é desafio
que a gente deve encarar
para aproveitar a vida
sem jamais menosprezar
aquele que ainda não sabe
mas, antes que o ano acabe,
muito vai nos ensinar.


Ao lado de uma professora da escola, o cordelista inicia os trabalhos.
Na mesa, as pesquisadores Vanda Siqueira e Paula Carnevale.