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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sextilha calculada


Nossa vida é derivada
e nós somos a integral
de tudo que já vivemos
além do bem e do mal;
definida, indefinida
- mas nossa vida, afinal!

P.R.Barja

domingo, 1 de julho de 2012

Medicina popular


Uma gripe muito forte
me levou para o buraco:
eu passava muito mal,
tava mesmo um cara fraco...
mas meu bem, pra me salvar,
veio logo me ajudar:
trouxe xarope de guaco!

P.R.Barja

domingo, 18 de março de 2012

Visita de Patativa... (2)

(Cordel Joseense n.40)

Mas não vô fazê discurso:
vô com meu pouco recurso
contá uma triste história;
o podê da otoridade
derruba casa à vontade
mas não derruba a memória.

(...)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Verdadeira História dos 3 Porquinhos


De vez em quando, a vida traz pra gente a oportunidade de interagir e criar em conjunto com outras pessoas. Isso é sempre bom. Durante a Oficina de Cordel realizada no SESC SJC, conheci a Gianne Pereira, que mostrou grande talento pra escrever no formato do cordel. A Gianne percebeu que o cordel é um formato que permite aliar a ficção com o olhar crítico em relação à nossa realidade. A partir de uma ideia e de um texto dela, acabamos aprontando esse novo Cordel Joseense:

Com a palavra, o Lobo:
Meus amigos, venham todos
Vou contar meu preferido
É um conto muito antigo
Nem tem dono definido
Pode ser Perrault ou Grimm
Ou autor desconhecido

Mas a verdadeira história
Eu, o Lobo, vou contar
Ouçam com muita atenção
Eu preciso revelar:
Fui vítima dos espertos
Que souberam me enganar

(...)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Estrofe de barro


Saí cedinho de casa,
estava triste, sozinho...
meu tênis cheio de barro
deixou marcas no caminho
e também no coração,
do barro do Pinheirinho
P.R.Barja

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Olho Vivo (final)


(...)

            P rezado amigo ouvinte ou bom leitor:
            R espeite o corpo, cuide da saúde
            B uscando logo, caso necessário,
            A lgum especialista que lhe ajude.
            R eforce o bem estar; cultive flores...
            J untando as mãos, vencemos sempre as dores:
            A feto é nossa mais feliz virtude.

* * *

Olho Vivo (penúltima estrofe)


(...)

O bom é que hoje em dia a medicina
está vivendo seu melhor momento;
se não puder curar, ajuda muito,
minimizando a dor e o sofrimento.
Mas lembro: medicina de sucesso
é aquela à qual o povo tem acesso,
pois todos têm direito a tratamento.

(continua)

Olho Vivo (25a.estrofe)


(...)

Seguindo a Vida, pus-me a pesquisar
e a descobrir histórias semelhantes:
artistas que ao nascer eram perfeitos,
mais tarde já não viam como antes;
o próprio Patativa (que destino!)
ficou cego de um olho inda menino
e assim fez suas obras, tão marcantes.
 
(continua)

Olho Vivo (24a.estrofe)


(...)

Cantamos e tocamos por aí,
fazendo muita bem-aventurança;
nos muitos versos que compartilhamos,
a Vida renovou-se em esperança.
Rodoviária, praça, até mercado;
com Santos Chagas sempre ao nosso lado,
a gente fez o povo entrar na dança.

(continua)



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Olho Vivo (23a.estrofe)


(...)

E Vida, minha gente, é parceria
(coisa sagrada e boa que eu persigo);
enquanto ainda me recuperava,
surpresa boa aconteceu comigo.
Sujeito memorável conheci:
Edmilson Santini passou aqui
e agora é mais um cordelista amigo.
 
(continua)

Olho Vivo (22a.estrofe)


(...)

Alguns diziam: “Isso é um recado
do corpo que precisa descansar;
pra que correr agora? Paciência...
com calma tudo enfim vai se arranjar.”

Entre um colírio e outro, terapia:
um pouco de piano a cada dia
e a Vida para a gente repensar.
 

(continua)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Olho Vivo (21a.estrofe)

 
(...)

Logo após a cirurgia,
uma coisa diferente:
não podia olhar pra cima,
não podia olhar pra frente.
"Só pode olhar para baixo!",
disse o doutor. Cabisbaixo
andava este seu paciente.

(continua)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Olho Vivo (20a.estrofe)


(...)

A pausa do serviço era forçada
e eu bem que desejava viajar.
Queria ir pra Santos, mas não pude:
o médico falou: “Pra que arriscar?
Escute o que lhe digo, meu amigo...
mudança de altitude é um perigo!
Nem pense em ir a praia ver o mar!”

(continua)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Olho Vivo (19a.estrofe)


(...)

Depois de um mês, com óculos escuros,
passei a caminhar pela cidade;
qualquer passeio curto era uma festa,
tamanha era a força da saudade.
Depois de tanto tempo no meu posto,
queria ter o vento no meu rosto
e ver o mundo - grande era a vontade!

(continua)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Olho Vivo (18a.estrofe)


(...)
 
Como eu não sei ficar mesmo parado,
exercitava o “ócio criativo”:
pensava num poema ou melodia
e assim eu ia me mantendo ativo.
Amigos, perto ou longe, confortavam;
pequenas (re)conquistas confirmavam:
"Viver é sempre bom - e estou bem vivo!"

(continua)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Olho Vivo (17a.estrofe)


(...)

Entrei então na fase dos colírios...
A cada duas horas: “Vamos lá!”
aerei eternamente grato a todos
que me mostraram: hora má não há.
A minha filha foi uma enfermeira
e sempre me animava, sem canseira,
dizendo: “Vê se fica alegre, tá?”

(continua)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Olho Vivo (16a.estrofe)


(...)

Foi rápido, tranquilo e indolor:
fiquei impressionado e otimista.
Porém, seria lenta a nova etapa,
conforme disse o oftalmologista:
“Dois meses de licença do serviço!
É muito, mas te digo: siga isso
pra ter a recuperação prevista.”

(continua)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Olho Vivo (15a.estrofe)


(...)

E o tempo, nessas circunstâncias tristes?
Parece que uma hora leva um dia...
Enfim eu fui pra clínica, e assim
que o médico me deu a anestesia,
dormi, mas dormi tão profundamente,
que quando eu acordei, pensei somente:
“Ué, quando vai ser a cirurgia?”

(continua)


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Olho Vivo (14a.estrofe)


(...)

“Meus caros, confirmou-se há poucas horas
descolamento grave na retina:
farei amanhã cedo a cirurgia
e sei que não é coisa de rotina;
não sei o que me aguarda nesse dia,
mas peço: vejam, na Vida, Poesia,
Amor e uma Esperança cristalina.”

(continua)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Olho Vivo (13a.estrofe)


(...)

Ao acordar, fui logo para o micro
e fiz um texto curto, peito aberto
- achei melhor postar logo no blog
pois eu já não sabia mais ao certo
por quanto tempo ficaria longe
do mundo, levando vida de monge
(queria dos amigos estar perto):

(continua)