Quarto Cordel Joseense coletivo produzido dentro do projeto 003/FMC/2015, com apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos - FCCR - Univap:
Criados por Paulo Barja, os "cordéis joseenses" tratam de histórias e temas diversos, como educação ambiental, política e saúde, incluindo adivinhas e fábulas para crianças de todas as idades. Compostos nas várias formas poéticas do cordel, os folhetos tem por base a mesma proposta: são textos curtos, escritos em linguagem simples, visando uma leitura em voz alta que fale direto ao ouvinte.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
CJ 62 - Vida de Aluno em Cordel
Quarto Cordel Joseense coletivo produzido dentro do projeto 003/FMC/2015, com apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos - FCCR - Univap:
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
CJ 61 - Cordel do Medo
O Cordel Joseense 61 (terceiro cordel vinculado ao projeto 003/FMC/2015) apresenta 3 histórias curtinhas de medo:
1) O Estrogonofe do Medo;
2) A Professora Fantasma;
3) Corpo Seco Joseense.
Vai encarar?
domingo, 22 de novembro de 2015
Cordel da Ocupação Escolar (Jd. Morumbi, SJC)
No dia 19/11/2015 (Dia do Cordelista!), visitamos a ocupação da Escola Estadual Miguel Naked Major, onde fizemos uma roda de cordel (cordel-rap!) e ministramos uma minioficina para criação coletiva de um cordel sobre a própria ocupação. Eis o resultado:
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Cordel-Rap do Celular (Oficina de Cordel)
Como resultado de uma das oficinas de cordel realizadas na EMEF Moacyr Benedicto, no Campo dos Alemães, fizemos um cordel-rap sobre um dos temas recorrentes do cotidiano da moçada: o aparelho celular...!
A oficina que gerou o cordel acima está vinculada ao projeto "Narração, Foto & Poesia" (003/FMC/2015), do Fundo Municipal de Cultura, com apoio da FCCR, Prefeitura de São José dos Campos e Univap.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
PRECONCEITO NUNCA MAIS! (Cordel coletivo em oficina)
Na Semana Cassiano Ricardo 2015, participamos com oficinas de cordéis na Casa de Cultura Chico Triste. No encerramento, compusemos o poema coletivo abaixo:
PRECONCEITO NUNCA MAIS
O Brasil é um país
que recebe muita gente,
porém temos um problema,
vou dizer, infelizmente,
que ainda há preconceito
contra quem é diferente.
Definição de família
não é coisa pro congresso
Família é quem vive junto,
compartilha amor, sucesso...
o amor que dou e recebo
dentro do lar, eu que meço!
O Brasil tem tantos negros!
Não se pode admitir
que sejam discriminados:
Se me mandarem sair
vou exigir o sagrado
direito de ir e vir.
Muitos vivem ainda em guetos
Muitas vezes ouvem “não!”
dessa pátria que os exclui
por isso vejo razão
nos negros que hoje exigem
consciência BRANCA então!
O futebol brasileiro
nesse ponto é nota dez,
valorizando o talento
de quem tem bola nos pés.
A cor é só a do time:
que venham novos Pelés!
Para encerrar o cordel,
Bola agora pra vocês:
Ajudem a derrotar
Raiva, ódio, estupidez.
Juntos nós somos melhores!
Agora é a nossa vez!
(P.R.Barja e oficineiros da Casa de Cultura Chico Triste, outubro de 2015)
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
CJ 60 - O Cordel da Criançada
Neste primeiro de outubro, sai da gráfica (para as escolas e leitores) o segundo Cordel Joseense publicado com apoio do Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos. Trata-se d´O Cordel da Criançada, voltado para Ensino Fundamental e produzido a partir de oficinas de literatura de cordel por mim ministradas a alunos de Ensino Fundamental aqui de São José, principalmente no Instituto Recriar. Os textos são coletivos!
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Um cordel de terror... feito coletivamente, em oficina criativa
Nas andanças com o projeto "Narração, Foto e Poesia", apoiado pelo Fundo Municipal de Cultura (FMC) de São José dos Campos, tenho ministrado oficinas em diversas escolas. Neste dia 27/8, fui surpreendido por uma turma incrível, altamente produtiva, da Escola Estadual Alceu Maynard (Jd. Motorama), que produziu durante a oficina nada mais nada menos que um cordel de terror... gastronômico! O texto será submetido à FCCR/Prefeitura de SJC com a solicitação de aprovação para ser materializado em folheto de cordel a ser distribuído para escolas. Por hora, segue o texto, na íntegra... e uma dica: não leiam perto do almoço, ok?
O STROGONOFF do MEDO
Essa história é mesmo estranha.
Eram só dez da matina;
fui comer strogonoff
sentado lá na cantina
e já estava ansioso
esperando uma menina...
mas o tempo foi passando,
acabou-se meu recreio
e fiquei desconsolado
pois a menina não veio.
Na boca, um gosto esquisito
aumentava o meu receio.
Depois que voltei pra casa,
fui assistir o jornal:
falava-se do sumiço
de adolescentes. Brutal,
o apresentador dizia
que era caso policial!
Ao longo de uma semana,
cada vez mais um sumia.
Eu fiquei desesperado:
já vai chegar o meu dia!
Resolvi investigar
e ver o que descobria.
A caminho da escola,
vi um restaurante novo:
"Promoção de Strogonoff
para alimentar o povo!
Dois reais, o prato cheio:
é melhor que pão com ovo!"
Assustei, ao ver o lixo
que já estava na calçada:
vi uma blusa da escola
toda de sangue manchada
e um anel em que havia
uma palavra gravada.
Era um nome apenas: Lara.
Do colégio então lembrei:
a Lara tinha sumido...
entendi tudo, já sei!
Porém, nesse mesmo instante,
enjoado, vomitei.
Quando enfim criei coragem,
avisei policiais.
Restaurante foi fechado
e não abre nunca mais.
O assunto virou manchete
nas páginas dos jornais.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
CJ 59 - Oficina de Cordel
Em 19 de agosto, finalizamos a seleção da primeira (mini)coletânea de poemas produzidos por alunos das oficinas de cordéis que venho ministrando (principalmente para Ensino Médio). Inda vem mais... porque essa moçada tem muito o que dizer, e a gente quer ouvir...! Este Cordel Joseense está sendo distribuído em escolas públicas de São José dos Campos, dentro do projeto 003/FMC/2015, uma parceria com a Prefeitura Municipal de São José dos Campos, a FCCR e a UNIVAP:
domingo, 16 de agosto de 2015
CJ 58 - Uma História (de) Menor
O cordel joseense 58 traz uma narrativa ficcional que busca servir de ponto de partida para um debate a respeito da maioridade penal no Brasil.
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Arte da capa: Cláudia R. Lemes
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Texto INTEGRAL do cordel:
Eu tenho 16 anos;
sempre fui pobre, é verdade.
Cheguei a ir para a escola
na Zona Sul da cidade,
mas na rua é que aprendi
sobre a tal maioridade.
Gostava muito da escola
e de futebol também.
Sou craque, modéstia à parte,
mas ver jogo não convém:
é muito caro o ingresso;
custa às vezes mais de 100...
Queria juntar dinheiro
também pra ajudar em casa.
Seu Ricardo é um cara grande
e, quando o aluguel atrasa,
ele grita com a gente:
“O barraco é meu, que brasa!”
O problema: eu sou pequeno,
fraco pra carregar peso.
Mas um dia me apontaram:
“Pula muro, sai ileso
e tem cara de coitado,
de pobre mesmo, indefeso!”
Pra fazer umas entregas
eu fui então contratado.
Recebia por semana
e fiquei aliviado:
ao fim de um ano, comprei
nosso barraco alugado.
Comecei a perder aulas,
mas os jogos não perdia:
agora eu tinha dinheiro
e a todos eu assistia.
As entregas, que eram muitas,
Mudaram meu dia-a-dia.
Minha irmã tem 17;
É garota de programa.
Capitão e deputado
ela já levou pra cama
e um pastor a visitava
dizendo ”Jesus te ama”.
Todos eles preocupados
por ser negócio ilegal:
“Menor de idade é problema;
se pegam, vai ficar mal”
- mas acharam solução
pra seguir no bacanal.
Aprovaram redução
dessa tal maioridade:
“Agora a barra tá limpa,
vamos ficar à vontade
para curtir as meninas
dentro da legalidade!”
Alguns têm até interesse
comercial na questão...
Possuem motéis e bares:
mais lucro agora terão.
Vender bebidas aos jovens?
Agora eles poderão!
Eu seguia nas entregas
e um dia fiquei com medo:
“Agora eu posso ser preso?
Digam pra mim, sem segredo!”
Com desprezo, então, meu chefe
me deu um sorriso azedo:
“Moleque, fica tranquilo!
Falei com o presidente
e ele foi compreensivo:
aliviou para a gente.
A redução não te pega.
Só se matar um gerente...”
Falou e mostrou a arma
que levava na cintura.
O cara era meliante
desses fortes, linha dura.
Nessa hora, eu cometi
uma estúpida loucura.
Disse pra ele: “Tô fora!
Não vou mais fazer entrega.
Eu quero voltar pra escola!”
“Meu dinheiro não se nega!
Vem aqui, moleque, eu vou
te apresentar minha adega.”
Fomos pra um recinto escuro.
Tinha garrafas de vinho.
Ele serviu uma taça,
mas me disse: “Um minutinho!
Entrei aqui com você,
porém vou sair sozinho!”
Naquele instante, o safado
apontou arma pra mim.
Fui mais rápido que ele
- eu tinha uma arma, sim!
Matei o cara ali mesmo,
mas esse foi o meu fim.
Os tiros que eu disparei
chamaram muita atenção.
Saí do local correndo,
mas não adiantou não:
em minutos, fui jogado
pra dentro de um camburão.
“Foi legítima defesa!”,
eu tentei argumentar.
“Preto e pobre não tem dessa!
Moleque, cê vai mofar
numa cela da cadeia,
seu legítimo lugar.”
Daqui da cela eu escrevo.
Tô preso. Peço uma chance...
Eu quero voltar pra escola;
virar rapper é meu lance.
Tenho 1 sonho: que a justiça
no nosso país avance!
Paulo R. Barja
Em vez de bater panela (septilhas)
Em vez de bater panela
pra dona Dilma sair,
vá na banca de jornais
e um livro de colorir
compre logo pra você.
Nem ligue a sua TV:
pinte pra se distrair.
Depois que tiver pintado,
faça uma selfie também
(camisa da CBF,
meu amigo, não convém).
Poste logo a sua imagem
e eu te presto a homenagem:
"Lindo! Fofo! Muito bem!"
sábado, 13 de junho de 2015
CJ 57 - Quem sofreu com Pinheirinho...
... Não quer a Via Banhado!
O Cordel Joseense 57, disponibilizado na íntegra a seguir, faz parte de um esforço de cidadãos joseenses para conscientizar a respeito da necessidade de preservação da área do Banhado, SEM a construção de uma via expressa ali:
Serpente cruel e dura,
maior até do que um trem:
quatro quilômetros tem,
30 metros de largura;
feita de ganância pura,
destrói o campo lavrado,
massacra o pobre coitado.
Nunca vi, mas adivinho:
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Para quem não é daqui,
depressa vou explicar:
o Banhado é um lugar
dos mais lindos que já vi.
Fiquei triste quando ouvi
que estaria ameaçado
por empreiteiro assanhado
e governo sem carinho:
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Área de preservação,
brisa fresca da cidade,
bem merece, na verdade,
ambiental proteção.
Pra que fazer construção
extinguindo um povoado
e deixando degradado
quintal nosso e do vizinho?
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
O projeto é elitista:
transformando casa em barro,
só prevê estrada pra carro!
Promete um monte de pista
só pra rico e pra turista,
pois o pobre é descartado,
expulso, desalojado
pra não ficar no caminho:
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Argumento sem razão
tem quem diz que o ambiente
já não serve para a gente
porque tem degradação.
Ao contrário, meu irmão:
Sem discurso esfarrapado!
Seja então fiscalizado
o esgoto, bem direitinho.
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Quem diz que o trânsito deve
melhorar, sabe que existem
alternativas. Se insistem,
é porque têm a mão leve...
O poeta aqui se atreve
a supor negociado
um recurso avantajado
por interesse mesquinho:
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Nos Campos de São José,
três anos atrás, eu vi
desocupação aqui
e a gente perdendo a fé.
Achando não dar mais pé,
teve um povo que, acanhado,
recolheu-se assim, calado,
porém não está sozinho:
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Cordelista joseense,
eu moro aqui bem no centro
da cidade, estou por dentro
e quero que você pense:
Via Banhado? Dispense!
É projeto equivocado,
que deixa o povo assustado,
sem mais flor, só com espinho:
Quem sofreu com Pinheirinho
não quer a Via Banhado!
Paulo R. Barja
domingo, 31 de maio de 2015
Futebol, TV e bola (sextilhas de oficina)
No dia 28 de maio, os Cordéis Joseenses estiveram presentes na programação oficial do "CONTAÍ", festival de contação de histórias realizado no Centro da Juventude, em São José dos Campos. No final da oficina de cordéis, os participantes foram orientados a criar um poema em métrica de cordel (sextilhas com 7 sílabas poéticas). Aí vai a criação coletiva:
Futebol, TV e bola
(Sextilhas)
Futebol é popular
- é nossa grande paixão -
mas, às vezes, dos problemas
ele desvia atenção
e, para nossa tristeza,
também tem corrupção...
Quando vamos para casa,
outro problema persiste:
a gente não vive a vida,
muitas vezes só assiste
lá na tela da TV
- coisa que eu acho bem triste.
Bem melhor do que assistir
é a gente jogar bola
no campinho lá do bairro
ou na quadra da escola.
Assim é que o mundo gira;
assim é que a vida rola!
P.R.Barja e oficineiros do Contaí 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Cordelista na Praça - Rádio Aguapé
Sempre que posso, participo das edições da Rádio Aguapé na Praça Afonso Pena, centro de São José dos Campos. Cesar Pope conduz a Rádio e a banda que, em 2015, está com sua melhor formação instrumental. Sonzeira boa! Abaixo, alguns flagrantes da participação do cordelista joseense na edição de 23/maio/2015, apresentando "O Sujeito que Vendia..."
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| Fotos: Pedro Palma |
sábado, 23 de maio de 2015
O Cine Teatro vive!
(sobre o início das obras de restauração do Cine Teatro Benedito Alves da Silva, em São José dos Campos)
Foi em São José dos Campos.
Um teatro foi fechado.
Diziam: "Só por 3 meses...
logo abrirá, reformado!"
Passaram-se 12 anos
junto a tantos desenganos
- e o teatro? Abandonado.
Porém a comunidade
dele nunca se esqueceu.
Pra manter acesa a chama,
cada artista se valeu
da força dessa lembrança:
teatro, música e dança,
tudo que ali se viveu.
Dizem uns que a Vida é Sonho;
hoje o sonho é bem real.
Nenhum grilhão aprisiona
a força de um ideal:
cumpre-se agora a promessa
e a restauração começa
- Engenho & Arte, afinal!
Depois de tanta batalha,
tanta manifestação:
a todos os que fizeram
e a todos os que farão
do Cine Teatro novo
espaço pra voz do povo,
nossa imensa gratidão!
Paulo R. Barja
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