Varal de Cordéis Joseenses

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(Sugestões de temas são bem vindas!)



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cordel Joseense 51: Brasil é Democracia (Ditadura? Nunca mais!)



Paulo Barja,
LabCom Univap
Quando me pego pensando
no Brasil que havia antes,
quando muitos não podiam
nem sequer ser estudantes,
percebo, ao longo da História,
mudanças interessantes.

O Brasil, por muito tempo,
reprimiu a liberdade
de cidadãos que buscavam
melhorar a sociedade;
alguns partiram pro exílio
ou pra clandestinidade.

Na noite de duas décadas,
muita gente sucumbiu
por querer democracia
aqui mesmo, no Brasil.
Página triste da História:
só não teme quem não viu.

A verdade é uma só:
foi cruel a ditadura!
Tanto o povo quanto artistas
foram alvo de censura.
Pior: muito brasileiro
foi vítima de tortura.

Havia tensão constante.
Figueiredo foi falar
de abertura democrática:
"vou prender e arrebentar"
- era assim que se expressava
presidente militar...

Veio então democracia:
a vida já melhorava,
mas a velha corrupção
ainda continuava...
Investigações mais sérias
o governo engavetava.

Dezenas de gravações:
compra de votos provada.
Na onda da reeleição,
privatização errada:
a Vale valia muito
e se foi, de mão beijada...

Para agradar estrangeiros,
quiseram colocar “X”
no nome da Petrobras,
desrespeitando o país,
mas o povo protestou
e dessa vez foi feliz.

No século XXI,
novidade surpreendente:
o Brasil passou a ter
o operário presidente
que fez acordo com muitos
e encarou outros de frente.

Mudou o nosso comércio:
estreitou, enfim, contato
com los hermanos e a África.
Sem fazer espalhafato,
o nosso salário mínimo
com ele cresceu de fato.

Depois de ser reeleito
com imensa votação,
o seu governo enfrentou
denúncias da oposição
e a Justiça, até sem provas (!?)
emitiu condenação.

Nós seguimos sempre em frente;
não há controvérsia nisso.
Nos problemas que encontramos
não queremos "dar sumiço":
encarar pra resolver
é melhor que ser omisso.

Quando enfim uma mulher
assumiu a presidência,
a Polícia Federal
mostrou grande independência:
muitas investigações,
transparência, eficiência.

As Comissões da Verdade
têm trazido informação
sobre os desaparecidos
nos tempos da escuridão
que manchou a nossa História
causando consternação.

Cada passo é novo estágio
para o amadurecimento.
Os problemas do passado
não se encerram num momento,
mas a nossa consciência
já tem encontrado alento.

Quanto à inclusão social,
não é mais "alegoria":
temos hoje mais emprego,
mais lazer e moradia.
Falta, porém, muito ainda
pra clarear nosso dia.

Temos universidades
muito boas, afinal;
falta, porém, melhorar
o ensino fundamental
para assim desenvolver
consciência nacional.

Um problema grave ainda:
o poder da grande imprensa
nas mãos de poucas famílias
- a distorção é imensa.
Regulamentar a mídia
será uma batalha intensa!

Falta reforma política,
uma importante demanda;
lutar contra a corrupção
(senão o país não anda);
combater o preconceito
- luta que nunca foi branda.

Uma coisa é evidente
pra mim, até por demais:
ruas praças e avenidas
nas casas e nos quintais,
BRASIL É DEMOCRACIA;
DITADURA NUNCA MAIS!

S. José dos Campos,
Nov/2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Cordel Joseense 50: Um Cordel Agroecológico




Foi há mais de 10.000 anos
que nasceu a agricultura;
no ínício, convencional,
talvez sem muita fartura
- mas havia menos fome
e a comida era mais pura.

Após a Segunda Guerra,
a “Verde Revolução”
parecia para muitos
caminho pra solução,
mas se mostrou, na verdade,
uma grave imposição.

Empresas e até governos
venderam “modernidade”:
agrotóxico e trator
vieram da urbanidade;
fizeram do agricultor
um escravo da cidade.

Um dos problemas mais sérios:
semente patenteada!
É uma armadilha perversa
- deixa a produção atada
às grandes corporações
da iniciativa privada.

Para se tornar “moderno”,
o agricultor foi ao banco
para contrair empréstimos,
mas eu tenho que ser franco:
tome cuidado, meu povo,
pra não passar cheque em branco!

Com tanta tecnologia,
houve o endividamento,
gerando em muitas famílias
do campo um novo lamento
- e fugir para a cidade
aumentava o sofrimento:

moradia inadequada
sem espaço pra plantar;
custo social bem alto
- é preciso repensar!
(sem haver reforma agrária,
     isso não vai melhorar)

Para virar esse jogo,
surge a AGROECOLOGIA
respeitando a tradição
e a força do dia-a-dia:
caminho reconhecido
pela Sociologia.

Caminho autossustentável
com menos insumo externo
garante a independência
no verão como no inverno.
Produção menor, quem sabe,
Mas com equilíbrio interno.

                         P ara manter a saúde,
                         B em como o meio ambiente,
                         A groecologia chega
                         R espeitando corpo e mente:
                         J untando, com harmonia,
                         A Natureza e a gente!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

sábado, 23 de agosto de 2014

Cordéis Joseenses em Cena (1)



Uma das escolas estaduais em que me apresentei hoje fica num bairro de periferia. Sempre é bom estar por lá. O "camarim improvisado" foi a cozinha da escola. Após a apresentação, as duas cozinheiras pedem pra ver os cordéis e conversamos bastante. Interessam-se pelo cordel "A Lenda do Galo"; explico que é uma lenda medieval portuguesa e uma delas diz:

- É a lenda do Galo de Barcelos? Eu conheço! Escuta, os cordéis estão à venda?

- Sim. 

- Quanto custa?

- Um por R$3, dois por R$5.

A outra cozinheira fica olhando e fala:

- Legal, né? Puxa... (ela está sem dinheiro)

A primeira me estende o dinheiro, escolhe um e diz pra outra:

- Qual você gostou? Escolhe um, é presente! 

A amiga pega "A Lenda do Galo".

E eu ganho meu dia, encantado por essas moças que são as verdadeiras artistas.

Quem duvida, prove o arroz doce de lá...!

A direção da escola levou esse texto pras homenageadas...
As artistas culinárias, com uma cópia do texto

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sextilhas para João Bosco

(se ele falasse...)

Eis que o velho João Bosco,
que viveu sempre em Guará,
partiu, na maturidade,
pegou estrada e de lá
veio sereno, tranquilo,
rodar nas bandas de cá.

Esse operário das ruas
tem histórias, com certeza,
que ainda serão contadas
por certo, em volta da mesa
de algum bar (talvez boteco)
bem aqui da redondeza.

João Bosco, quem diria:
tens nova cidadania!
Meu amigo Luciano
saberá ler-te a poesia
e te conduzir, seguro,
nos rumos do dia-a-dia.

É com essa confiança
que digo: sigam em frente!
Deixo aos dois o meu abraço
com um pedido somente:
cuidem da manutenção...
fusca velho é também gente!

(Paulo Barja)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Para Catulo (o romano)


SEXTILHA PARA CATULO

Faz muito tempo, meu povo
- para lá de 2 mil anos -
que esse mestre da poesia
floresceu entre os romanos;
apresento-lhes CATULO
e seus versos soberanos!

(Paulo Barja)


FRAGMENTO 5
(Catulo, na tradução de Haroldo de Campos)

Vivamos minha Lésbia, e nos amemos,
e as graves vozes velhas - todas -
valham para nós menos que um vintém.
Os sóis podem morrer e renascer:
quando se apaga nosso fogo breve
dormimos uma noite infinita.
Dá-me pois mil beijos, e mais cem,
e mil, e cem, e mil, e mil e cem.
Quando somarmos muitas vezes mil
misturaremos tudo até perder a conta:
que a inveja não ponha o olho de agouro
no assombro de uma tal soma de beijos.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Suassuna foi pro céu (sextilhas de Paulo Barja)


Neste 23 de julho,
Suassuna foi pro céu.
A Compadecida, ao vê-lo,
fez o maior escarcéu:
"Eis que chega mais um cabra
  que sempre amou bom cordel!"

"Amei cordel e soneto; 
 mais que tudo, amei meu povo
 e o sertão que me inspirou
 a fazer teatro novo;
 com a força Armorial 
 até hoje me comovo."

"Chego bem, venho tranquilo,
 não pedi nenhum socorro.
 Testamento do escritor
 não é como o do cachorro:
 sei que as minhas obras ficam
 mesmo bem depois que morro." 

O sertão fica mais pobre,
mas o céu fica mais rico:
Ariano Suassuna,
nas asas de um tico-tico,
foi visitar Rubem Alves
e acabou dizendo: eu fico.

Juntos viram João Ubaldo
e outro Poeta querido.
Essa feira literária
vem causar grande alarido:
com escritor de primeira
eis que o céu tá bem servido!

Estou certo de que o céu
nem se abrisse um edital
conseguiria uma equipe
de tanta força e astral
para compor a mais nova
redação celestial.

Com esse rol de escritores
de talento extraordinário,
o Brasil, em verso e prosa,
enriquece o relicário,
tornando assim nosso céu
cada vez mais literário.
(Paulo Roxo Barja)

sábado, 5 de julho de 2014

A REGINALDO POETA


Um amigo, quando parte
por fios que o destino tece,
deixa em nós doce presença
que nos conforta e aquece.
Dentro de nós, para sempre
sua essência permanece!

Peço a benção, Reginaldo
Poeta de todos nós:
teu olhar nos fez melhores,
teu sorriso e tua voz
seguem junto com teus versos:
jamais estaremos sós!

P.R.Barja

Consciência (sextilhas)


Quando nasce a consciência,
isso é individual.
Pode parecer pequeno, 
pode parecer banal,
mas quem pensa desse jeito
chega a ser quase imoral

pois é ela, a consciência,
com seu pendor voluntário,
que toca outras consciências
em gesto extraordinário
e esse mar de consciências
é o mar revolucionário.

(Paulo Barja)

domingo, 29 de junho de 2014

Cordel: Costa Rica e Grécia


COSTA RICA x GRÉCIA

Costa Rica venceu Grécia
num jogo surpreendente.
Marcou o primeiro gol,
mas ficou com menos gente:
foi expulso o jogador
que tinha a cabeça quente...!

No segundo tempo inteiro,
Costa Rica só com dez.
Eu, que já estava nervoso,
tomei dois ou três cafés
- e a Grécia ia pra frente
com chutes e pontapés.

Quase no final do jogo
é que um dos gregos chutou
e a bola, bem lentamente,
foi rolando até o gol.
Festa grega na torcida:
a seleção empatou!

Nesses casos, já se sabe:
tem que haver prorrogação.
O público estava quieto
de tanta preocupação,
mas ninguém marcou mais gol,
ficando aberta a questão.

A decisão, meus amigos,
foi pros pênaltis, no fim.
Todos iam acertando.
Seguia o suspense... enfim,
o arqueiro da Costa Rica
pegou pênalti: aí sim!

Venceu quem era melhor;
a minha aposta ganhei.
Quanto à seleção da Grécia,
disse o treinador: "tentei
implantar filosofia,
mas só sei que nada sei..."
Paulo R. Barja

terça-feira, 24 de junho de 2014

Eu quero uma sexta estrela

(sextilhas para Manuel Bandeira)


Eu quero uma sexta estrela,
venha ela de manhã,
de tarde ou até de noite;
não pense que a luta é vã.
Por acaso Eva é culpada
por desejar a maçã?

Eu quero uma sexta estrela.
É uma vontade sincera
- e não quero a sexta estrela
para amansar uma fera,
nem para ficar mais rico
ou posar para a galera.

Eu quero uma sexta estrela
traduzindo uma nação.
Sei que todos nós queremos:
não venha dizer que não.
Eu quero, acima de tudo,
ter um HEXACORAÇÃO.

24/junho/2014

domingo, 22 de junho de 2014

Para a Seleção da Bósnia (um cordel e o meu abraço)


PARA A SELEÇÃO DA BÓSNIA
(um cordel e o meu abraço)


Nem tudo na vida é fácil,
nem tudo é sem cicatriz,
nem tudo sai com um pano,
nem tudo é só “por um triz”,
nem todo craque é sortudo,
nem toda volta é feliz.

Nem sempre a gente adivinha
o real rumo da estrada:
eis que a seleção da Bósnia
foi dormir eliminada,
após mais uma partida
disputada e bem jogada.

Nem tudo é justo na vida:
foi um gol mal anulado
(por um juiz mais confuso
do que mal intencionado)
que mandou a Bósnia embora.
Mas tudo é aprendizado.

Não se deve achar culpados;
não pensem “mas que miséria”
por perderem de um a zero
para a esforçada Nigéria:
“futebol tem 1000 surpresas”,
dizem os pais da matéria.

Virão muitas outras Copas,
muita História inda virá.
Quem escrever o que eu digo,
amanhã concordará:
perdeu hoje, mas um dia
muito comemorará.

Paulo R. Barja,
22/junho/2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Cordel de Japão e Grécia (jogo da Copa do Mundo)


CORDEL DE JAPÃO x GRÉCIA
(Jogo da Copa do Mundo)


Japão e Grécia: isso é jogo
ou teste de locução?
Treine bem sua pronúncia
para ler a escalação
e tome cuidado: às vezes,
parece até palavrão...!

O Japão tem um Kagawa,
também tem K H Lee
e, pra piorar, Okubo:
é, tá feia a coisa aí...
no futebol fazem pouco;
devem ser bons no sushi!

Tem um Sócrates na Grécia
que só joga na defesa
e tem bem pouco talento,
disso dá pra ter certeza.
Bom mesmo era o brasileiro:
tinha elegância e firmeza.

Vejo o técnico da Grécia.
Descubro, vejam vocês,
que ele vem de Portugal!
Aprendeu grego, talvez,
mas quando ele está nervoso
xinga mesmo em português!

Primeiro tempo: agitado,
mas o placar... zero a zero.
Tomara que saia gol,
mas tenho que ser sincero:
talvez fique apenas nisso...
mas não é isso que eu quero!

Segundo tempo de jogo;
a Grécia joga com dez.
Teve um jogador expulso,
 pois deu muitos pontapés.
– Japão, mostre seu talento:
   goleie esses barnabés!

Mas o jogo acaba mesmo
do jeito que começou.
O estádio estava lotado,
mas uma coisa faltou:
por mais que o povo quisesse,
não teve grito de gol!

- Paulo R. Barja,
19/junho/2014

Marcos Mairton comenta "Cordéis para Crianças (de todas as idades)"


Só temos a agradecer pelas gentis palavras do multitalentoso Marcos Mairton:


terça-feira, 27 de maio de 2014

AUDIOCORDEL: "Confusão no Campo Rico"


Tenho a alegria de compartilhar com vocês o Audiocordel produzido por alunos de Rádio & TV da FCSAC/UNIVAP para a disciplina de Sonoplastia. O texto é do Cordel Joseense "CONFUSÃO NO CAMPO RICO" (Paulo Barja):



Parabéns aos alunos Renato Marques, Douglas Cunha e equipe!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Cordel na Escola (São José dos Campos, abril/2014)

Alguns registros fotográficos de apresentações em São José dos Campos:

Papeando sobre "A Raposa e os Peixes"

Essa história veio lá de Teresina... ("Cabeça de Cuia")

Moçada escolhendo cordéis

Tão legal poder estimular a leitura... é isso aí, pessoal!

Cantar, sempre...!

"O Mistério do Príncipe de Astúrias"